Exportações reduzem o impacto de mercado doméstico decepcionante – DCI

O setor de calçados está se apoiando nas exportações para compensar o desempenho abaixo do esperado no mercado doméstico. As vendas para o exterior registraram crescimento de 9% nos cinco primeiros meses de 2019.

“O setor tem o privilégio de ser um grande exportador e estar conseguindo neutralizar as dificuldades internas. Vendemos para mais de 160 países e os embarques estão crescendo”, aponta o presidente da Francal Feiras, Abdala Jamil Abdala.

Ele conta que a projeção é de que o Brasil exporte 44,4 milhões de pares de sapato em 2019, 4 milhões acima do resultado do ano passado. “Somos competitivos e conhecidos pela qualidade de nossos produtos. Além disso, em razão do conflito comercial, os EUA estão deixando de comprar calçados chineses, o que pode alavancar ainda mais nosso desempenho”, destaca Abdala.

Para o mercado doméstico, a estimativa é de 3,3% de incremento na produção. “A confiança precisa melhorar. Está abaixo do esperado em consequência do varejo. Não vai haver consumo se não houver mais emprego”, assinala o dirigente.

Abdala entende que a aprovação de reformas pelo Congresso pode destravar investimentos necessários para a geração de empregos. “É a infraestrutura que cria novos postos de trabalho e esse setor está parado. O investidor precisa de uma sinalização concreta do governo.”

O diretor de operações da Usaflex, Oscar Neto, classifica 2019 como um ano desafiador. “O otimismo do mercado era maior, em função das mudanças esperadas com a troca de governo. Mas nossa estratégia está andando e estamos crescendo acima de 10%.”

A empresa tem expandido suas exportações para América Latina e Ásia. “Estamos conseguindo levar a nossa marca para fora do País. Temos uma venda forte na Indonésia, um mercado que cresce ano a ano”, destaca o executivo.

Para crescer acima do setor no ambiente doméstico, a fabricante tem apostado em modelos que combinam conforto e design. “É uma tendência atual de consumo. Trabalhamos na renovação dos modelos e fazemos investimentos em tecnologia e inovação para ter uma qualidade superior”, afirma Neto.

O diretor da Kidy, Ramon Lanius, também observa dificuldades no primeiro semestre. “O mercado interno está fraco. Temos conseguido manter nossas metas nas exportações. Atuamos em mais de 40 países, com destaque para América do Sul e Oriente Médio”, explica.

Ele admite que a valorização do dólar beneficia os embarques, mas não é um pilar de sustentação desse crescimento. “As vendas são de longo prazo, essas variações abruptas acabam não gerando tanta vantagem.” O executivo aponta que as exportações da Kidy tem crescido na casa de 15%.

Lanius avalia que o mercado infantil passa por dificuldades semelhantes às demais categorias. “Estamos investindo em tecnologia e em comunicação para nos diferenciar. Nosso foco é a qualidade e o apelo de saúde e conforto para o público infantil.”

Franquias

Lanius acredita que o mercado ainda deve enfrentar dificuldades nos próximos dois meses antes de apresentar melhora. “O canal multimarcas é o que mais está sofrendo com esse momento econômico e as transformações do consumo.”

Ele entende que nos últimos três anos, as lojas multimarcas priorizaram o preço sobre a qualidade dos produtos. “Isso fez com que o faturamento caísse e a oferta de valor agregado se deslocasse. As grandes fabricantes estão apostando em canais próprios.”

Neto declara que a Usaflex tem planos para chegar a 200 lojas franqueadas nos próximos meses. “É uma estratégia que anda a passos largos. O canal multimarcas estava tendo queda nos últimos anos, mas em 2019 mostra um desempenho positivo.”

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