Crescimento fraco no Dia das Mães dá o tom do comércio para o resto do ano – DCI

O resultado do comércio no Dia das Mães foi um banho de água fria para os mais otimistas com a retomada da economia. Com alta de apenas 1,7% nas vendas totais e 0,11% nas feitas a prazo, na segunda principal data do varejo no ano, a previsão agora é de que os lojistas fiquem ainda mais comedidos para repor estoques para as próximas datas.

Segundo o indicador de vendas realizado pela Boa Vista, com abrangência nacional, as vendas cresceram 1,7%, após um incremento na casa dos 4% apresentados ano passado, frente ao mesmo período de 2017.

Para o especialista em varejo e ex-professor da Universidade Nacional de Brasília (UnB), Arthur Machado, a frustração com as vendas podem comprometer a composição dos estoques para os próximos períodos de festas. “Acredito que o Dia das Mães foi um balde de água fria para parte dos lojistas que esperavam uma retomada do consumo mais forte”, disse.

Exemplo desse movimento mais conservador foi reportado ao DCI pelo empresário Sílvio Magalhães, que possui duas lojas de vestuário no ABC Paulista, na Região Metropolitana de São Paulo. De acordo com ele, boa parte do estoque ficou parado e ele terá de fazer promoções para abrir espaço para as próximas coleções. “O tempo também não ajudou uma vez que, quando está mais frio, as pessoas compram mais casacos e itens de maior valor agregado”, disse.

O comportamento do lojista vem em linha com a percepção do vice-presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio de Porto Alegre (Sindilojas), Paulo Kruse. De acordo com ele, os lojistas que prepararam as vendas para o Dia das Mães começaram a compor os estoques em fevereiro, período em que havia um maior otimismo com o governo e com a retomada econômica. “Com estoques altos, agora, a tendência é que eles sejam mais comedidos nas próximas compras”, disse.

A expectativa dele e que, pelo menos na região de Porto Alegre, o varejo se comporte de modo linear este ano, sem grandes altas, mas também sem encarar perdas.

Para o professor da UnB, no caso do Dia das Mães, os piores desempenhos foram verificados entre as categorias de maior valor agregado, uma vez que elas dependem de crédito. “Além de pouco crédito disponível, o medo do desemprego ainda assombra boa parte dos brasileiros e impede compras parceladas”, completou ele.

Consumidor precavido

De acordo com o levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), a lenta recuperação da economia frustrou a expectativa de um crescimento mais vigoroso do varejo para o Dia das Mães de 2019. Como resultado, as vendas a prazo na semana anterior à data (entre os dias 05 a 11 de maio) apresentou uma pequena alta de 0,11% na comparação com o mesmo período do ano passado. Este ano, mais da metade (65%) dos consumidores planejavam pagar os presentes à vista em vez de parcelar as compras.

Em 2018, as vendas haviam crescido 4,36%, após acumularem três anos seguidos de queda: -0,91% (2017), -10,88% (2016) e -2,82% (2015). (veja mais no gráfico)

Na avaliação do presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior, o resultado reflete um cenário de dificuldades em que o consumidor fica mais cauteloso com compras. “Esse crescimento tímido nos resultados do Dia das Mães, segunda data mais importante para o comércio, não foi suficiente para retornarmos ao patamar de crescimento anterior à crise econômica”, destaca.

Nos shoppings o resultado foi ainda pior. Segundo a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) houve queda de 5% no faturamento dos lojistas. A entidade calcula que o fluxo de pessoas e volume de compras subiram, mas o consumidor gastou 10% menos que em 2018. Entre os malls mais populares, o tíquete médio ficou entre R$ 70 e R$ 90 e prevaleceu, como indicado pela CNDL, vendas feitas à vista, o que tirou celulares e eletrônicos da lista de compra.

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