Competição com cooperativas pode reduzir juros em até 30% aos clientes – DCI

A maior igualdade competitiva das cooperativas de crédito, proposta pela nova Agenda BC#, pode pressionar uma queda de 20% a 30% nos juros bancários. O movimento, porém, também depende da retomada econômica e da redução dos níveis de calotes.

Um estudo especial recente do Banco Central (BC) que avaliou a participação das cooperativas no mercado de crédito apontou que na análise da modalidade de empréstimo pessoal sem consignação, os juros cobrados pelos bancos comerciais são, em média, 34% menores em municípios que contam com uma presença mais forte de cooperativas de crédito.

Segundo o presidente executivo do Banco Cooperativo Sicredi, João Tavares, a tendência, com a adoção da Agenda BC#, divulgada pelo Banco Central (BC), é de que as taxas de juros sofram uma influência de queda cada vez maior ante o cenário de aumento da competitividade.

“É um ambiente que só vai melhorar. Já temos um ambiente propício e a ideia é de que isso continue evoluindo para desfazer o desequilíbrio que as cooperativas têm em relação a outras instituições. É uma agenda que olha para igualdade de competição e isso, no final, acaba trazendo as taxas de juros do sistema financeiro mais para baixo”, avalia o executivo do Sicredi.

Dentre as medidas sugeridas estão a permissão de crédito sindicalizado e de depósitos interfinanceiros, captação de poupança por cooperativas singulares, a autorização do uso de fundos constitucionais de funding (hoje limitado apenas para os bancos tradicionais) e a modernização do conceito de admissão, o que permitiria que pessoas fora da área de atuação da cooperativa também abrissem contas no sistema por meio digital.

De acordo com o presidente do Sicoob Confederação, Henrique Castilhano Vilares, no entanto, apesar de serem um desafio muito grande tanto para o próprio sistema cooperativo quanto para o regulador, as propostas da Agenda BC# e sua aplicação são essenciais para “a maior inclusão financeira e a diversificação e descentralização do mercado”.

“É uma oportunidade única de crescer, expandir o cooperativismo e levar acesso financeiro a um grande número de pessoas que hoje não são alcançadas pelo sistema bancário. Essas novas medidas trarão abertura para a atuação das cooperativas e até nos permitem projetar chegar em 20% do market share do sistema financeiro”, acrescenta.

Cronograma em construção

Apesar de positivas, porém, as propostas ainda não foram detalhadas pelo Banco Central e ainda não há um cronograma específico para as medidas relativas ao cooperativismo.

Para Tavares, mesmo que algumas medidas sejam complexas e envolvam outras articulações além do próprio BC, muitas das propostas já estão endereçadas. “As cooperativas já estão se preparando e organizando e, de maneira geral, tudo deve acontecer de maneira bem ágil e rápida”, afirma.

“O raio de atuação do BC já está bastante adiantado e caminhando. Esses reflexos já devem ser sentidos no médio prazo”, conclui Vilares.

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